segunda-feira, 4 de abril de 2011
sábado, 26 de março de 2011
Estudar Música: Um Excelente Exercício Para a Mente
Desde a idade média a palavra era mais importante que a melodia. Foi na Grécia antiga que se descobriu a influência da música no corpo humano. Aristóteles falava do verdadeiro valor médico da música e Platão receitava música para a cura das angústias. Ele afirmava "a música é o remédio da alma". Virtudes mágicas da música eram transmitidas aos instrumentos musicais. Sons produziam efeitos terapêuticos.
A música é muito mais que um simples conjunto de sons que compõe uma melodia. Ela penetra nossa pele, provoca arrepios de prazer ou nos faz mergulhar em doces lembranças.
Os efeitos benéficos à saúde física e mental da música foram descobertos mais de 30.000 anos atrás. O reconhecimento de que a música poderia provocar comportamentos e emoções, levou ao uso da música para a prevenção e cura de enfermidades físicas e mentais.
O estudo da estrutura e do funcionamento do cérebro evoluiu muito nos últimos anos. Torna-se cada vez mais possível identificar as partes específicas do cérebro usadas para diferentes aspectos do pensamento e da emoção. Cada região cerebral contribui de forma específica para o funcionamento do sistema funcional como um todo.
Existem regiões no cérebro do ser humano compostas por células especializadas destinadas a memorizar somente sons com determinados ritmos, outras, são destinadas a memorizar diferentes timbres de som, ou então células que têm a função de armazenar somente a linha melódica de uma música e o conjunto desses grupos celulares, compõe a memória sonora.
A área cerebral responsável pelo reconhecimento da música que ouvimos é a região ou córtex temporal do hemisfério direito do cérebro, assim como a execução das melodias e da prosódica musical. Melodia é a sucessão rítmica, ascendente ou descendente de sons, a intervalos diferentes e que encerram o sentido musical. Prosódia é o ajuste das palavras à música e vice-versa, a fim de que a sucessão de sílabas forte e fraca coincida com os tempos fortes e fracos dos compassos. O reconhecimento da música, portanto sua identificação, ou seja, sua percepção, constitui uma função cognitiva.
Também é função do córtex temporal direito executar a música cantando-a. O córtex temporal do hemisfério esquerdo é indispensável para a composição e escrita da música. No hemisfério esquerdo estão os centros da linguagem, que nos possibilitam a compreender a música.
A música e a linguagem têm algo muito em comum, ambas transmitem mensagens por meio de um sistema de signos que possui suas regras gramaticais. Na música também existem algumas regras como uma seqüência de sons e de harmonias que devem se desenrolar. O aprendizado da música ou de um instrumento musical ajuda no desenvolvimento cognitivo, sobretudo nos aspectos semânticos e nos sistemas de memória. A música se configura numa forma de linguagem e pensamento.
Em casos de lesões cerebrais, por traumatismo craniano, acidentes, doenças ou como nos casos de AVC (Acidente Vascular Cerebral) quando a pessoa mostra dificuldade em reconhecer músicas que conhecia antes, assim como cantá-las, a pessoa apresenta uma "amusia". Por outro lado, a pessoa pode ser capaz de recitar a letra da música. Essas lesões celulares podem afetar somente a noção de ritmo da pessoa, perdendo a capacidade de memorizar e acompanhar ritmos, conservando, porém, o entendimento e a lembrança dos outros componentes que formam a música, por exemplo, a letra e a melodia.
Um nível elementar de conhecimento musical todos nós possuímos, devido aos processos de aprendizagem que ocorreram durante nosso desenvolvimento. O ser humano constrói-se e é construído, já em seus primórdios gestacionais, com o ritmo da respiração da mãe e as conversas e canções que o embalam.
Nossa memória sonora está interligada com a memória visual, a memória olfativa, tátil e a gustativa. A memorização da música envolve dois aspectos: o fisiológico e o psicológico. A facilidade de memorização musical difere de pessoa para pessoa.
Entretanto, pesquisas da área de neurociências comprovam que as pessoas, mesmo sem formação musical, são capazes de reconhecer um acorde, uma melodia inacabada ou variações sobre um tema tão bem quanto um músico profissional, o que comprova que a percepção da música é muito parecida, tanto no plano individual como entre diferentes ouvintes. Isso ocorre pelo simples aprendizado implícito.
A extraordinária capacidade do cérebro de interiorizar as estruturas complexas do ambiente de forma passiva, ou seja, a simples escuta (e não a prática) basta para tornar o cérebro "músico".
Estudo sobre a biologia do som realizados no Laboratório de Neuropsicologia da Música e da Cognição na Universidade de Montreal (Canadá), investigou as contribuições da música nas reações do indivíduo e revelou que a música produz, de fato, reações fisiológicas, cuja amplitude depende do conteúdo emocional.
Nas reações emocionais, o sistema nervoso central reage com aceleração dos batimentos cardíacos ou aumento da transpiração. O medo e a alegria suscitam uma forte reação na pele (de transpiração). Outros estudos mostram que a música exerce grande influência sobre o comportamento e ativa áreas cerebrais que participam do processamento das emoções.
Música, benefícios e emoções
Com relação aos efeitos benéficos da música nas emoções, no comportamento e nas funções cognitivas, quando utilizada, melhora o humor, o sono, a motivação, a autoconfiança, diminui a ansiedade, combate a tensão e a fadiga e elimina o estresse. Isso porque a música é capaz de ativar no cérebro os mesmos centros de recompensa que uma comida saborosa, droga ou sexo e reduz as concentrações dos hormônios do stress. No entanto, estilos musicais afetam as pessoas de formas diferentes.
Quanto às funções cognitivas, a música pode auxiliar na manutenção da memória, concentração, facilita a percepção auditiva, a atenção, a repetição, estimula a memória imediata, a memória implícita (semântica e declarativa), o raciocínio abstrato, a imaginação e a criatividade.
Música e envelhecimento
A música sempre acompanhou o envelhecer da humanidade, dando sentido aos movimentos e épocas, refletindo sentimentos. Por sua capacidade de transcender ao tempo, a música ultrapassa não só séculos e décadas, como também permeia as diferentes culturas e gerações inteiras, demonstrando as diferenças e semelhanças entre elas.
Onde quer que haja um povo, uma cultura existirá música. A velhice, como a música, pertence ao tempo. Um tempo que marca o corpo e constrói a memória, seja individual ou coletiva. As músicas de nossas vidas fazem parte dessa construção. Nós fazemos música para nos escutarmos nela.
A Musicoterapia na terceira idade se apresenta como uma terapia auto-expressiva de grande atuação nas funções cognitivas, isto é, para a manutenção das capacidades de memória, percepção, atenção, concentração e linguagem. A música atua como intermediadora na relação terapeuta-cliente, visando à melhoria da qualidade de vida, estimulando as ações físicas, sensório-perceptivas, psicológicas e sociais do indivíduo. Tendo o corpo como primeiro instrumento musical.
A utilização da música e seus elementos (som ritmo, melodia e harmonia) pelo musicoterapeuta em um processo estruturado para facilitar e promover a comunicação, o relacionamento, a aprendizagem, a mobilização, a expressão e a organização (física, emocional, mental, social e cognitiva) para desenvolver potenciais e/ou recuperar funções do indivíduo de forma que a pessoa possa alcançar melhor integração intra e interpessoal, bem-estar e melhor qualidade de vida.
Elisandra Vilella G. Sé
A música é muito mais que um simples conjunto de sons que compõe uma melodia. Ela penetra nossa pele, provoca arrepios de prazer ou nos faz mergulhar em doces lembranças.
Os efeitos benéficos à saúde física e mental da música foram descobertos mais de 30.000 anos atrás. O reconhecimento de que a música poderia provocar comportamentos e emoções, levou ao uso da música para a prevenção e cura de enfermidades físicas e mentais.
O estudo da estrutura e do funcionamento do cérebro evoluiu muito nos últimos anos. Torna-se cada vez mais possível identificar as partes específicas do cérebro usadas para diferentes aspectos do pensamento e da emoção. Cada região cerebral contribui de forma específica para o funcionamento do sistema funcional como um todo.
Existem regiões no cérebro do ser humano compostas por células especializadas destinadas a memorizar somente sons com determinados ritmos, outras, são destinadas a memorizar diferentes timbres de som, ou então células que têm a função de armazenar somente a linha melódica de uma música e o conjunto desses grupos celulares, compõe a memória sonora.
A área cerebral responsável pelo reconhecimento da música que ouvimos é a região ou córtex temporal do hemisfério direito do cérebro, assim como a execução das melodias e da prosódica musical. Melodia é a sucessão rítmica, ascendente ou descendente de sons, a intervalos diferentes e que encerram o sentido musical. Prosódia é o ajuste das palavras à música e vice-versa, a fim de que a sucessão de sílabas forte e fraca coincida com os tempos fortes e fracos dos compassos. O reconhecimento da música, portanto sua identificação, ou seja, sua percepção, constitui uma função cognitiva.
Também é função do córtex temporal direito executar a música cantando-a. O córtex temporal do hemisfério esquerdo é indispensável para a composição e escrita da música. No hemisfério esquerdo estão os centros da linguagem, que nos possibilitam a compreender a música.
A música e a linguagem têm algo muito em comum, ambas transmitem mensagens por meio de um sistema de signos que possui suas regras gramaticais. Na música também existem algumas regras como uma seqüência de sons e de harmonias que devem se desenrolar. O aprendizado da música ou de um instrumento musical ajuda no desenvolvimento cognitivo, sobretudo nos aspectos semânticos e nos sistemas de memória. A música se configura numa forma de linguagem e pensamento.
Em casos de lesões cerebrais, por traumatismo craniano, acidentes, doenças ou como nos casos de AVC (Acidente Vascular Cerebral) quando a pessoa mostra dificuldade em reconhecer músicas que conhecia antes, assim como cantá-las, a pessoa apresenta uma "amusia". Por outro lado, a pessoa pode ser capaz de recitar a letra da música. Essas lesões celulares podem afetar somente a noção de ritmo da pessoa, perdendo a capacidade de memorizar e acompanhar ritmos, conservando, porém, o entendimento e a lembrança dos outros componentes que formam a música, por exemplo, a letra e a melodia.
Um nível elementar de conhecimento musical todos nós possuímos, devido aos processos de aprendizagem que ocorreram durante nosso desenvolvimento. O ser humano constrói-se e é construído, já em seus primórdios gestacionais, com o ritmo da respiração da mãe e as conversas e canções que o embalam.
Nossa memória sonora está interligada com a memória visual, a memória olfativa, tátil e a gustativa. A memorização da música envolve dois aspectos: o fisiológico e o psicológico. A facilidade de memorização musical difere de pessoa para pessoa.
Entretanto, pesquisas da área de neurociências comprovam que as pessoas, mesmo sem formação musical, são capazes de reconhecer um acorde, uma melodia inacabada ou variações sobre um tema tão bem quanto um músico profissional, o que comprova que a percepção da música é muito parecida, tanto no plano individual como entre diferentes ouvintes. Isso ocorre pelo simples aprendizado implícito.
A extraordinária capacidade do cérebro de interiorizar as estruturas complexas do ambiente de forma passiva, ou seja, a simples escuta (e não a prática) basta para tornar o cérebro "músico".
Estudo sobre a biologia do som realizados no Laboratório de Neuropsicologia da Música e da Cognição na Universidade de Montreal (Canadá), investigou as contribuições da música nas reações do indivíduo e revelou que a música produz, de fato, reações fisiológicas, cuja amplitude depende do conteúdo emocional.
Nas reações emocionais, o sistema nervoso central reage com aceleração dos batimentos cardíacos ou aumento da transpiração. O medo e a alegria suscitam uma forte reação na pele (de transpiração). Outros estudos mostram que a música exerce grande influência sobre o comportamento e ativa áreas cerebrais que participam do processamento das emoções.
Música, benefícios e emoções
Com relação aos efeitos benéficos da música nas emoções, no comportamento e nas funções cognitivas, quando utilizada, melhora o humor, o sono, a motivação, a autoconfiança, diminui a ansiedade, combate a tensão e a fadiga e elimina o estresse. Isso porque a música é capaz de ativar no cérebro os mesmos centros de recompensa que uma comida saborosa, droga ou sexo e reduz as concentrações dos hormônios do stress. No entanto, estilos musicais afetam as pessoas de formas diferentes.
Quanto às funções cognitivas, a música pode auxiliar na manutenção da memória, concentração, facilita a percepção auditiva, a atenção, a repetição, estimula a memória imediata, a memória implícita (semântica e declarativa), o raciocínio abstrato, a imaginação e a criatividade.
Música e envelhecimento
A música sempre acompanhou o envelhecer da humanidade, dando sentido aos movimentos e épocas, refletindo sentimentos. Por sua capacidade de transcender ao tempo, a música ultrapassa não só séculos e décadas, como também permeia as diferentes culturas e gerações inteiras, demonstrando as diferenças e semelhanças entre elas.
Onde quer que haja um povo, uma cultura existirá música. A velhice, como a música, pertence ao tempo. Um tempo que marca o corpo e constrói a memória, seja individual ou coletiva. As músicas de nossas vidas fazem parte dessa construção. Nós fazemos música para nos escutarmos nela.
A Musicoterapia na terceira idade se apresenta como uma terapia auto-expressiva de grande atuação nas funções cognitivas, isto é, para a manutenção das capacidades de memória, percepção, atenção, concentração e linguagem. A música atua como intermediadora na relação terapeuta-cliente, visando à melhoria da qualidade de vida, estimulando as ações físicas, sensório-perceptivas, psicológicas e sociais do indivíduo. Tendo o corpo como primeiro instrumento musical.
A utilização da música e seus elementos (som ritmo, melodia e harmonia) pelo musicoterapeuta em um processo estruturado para facilitar e promover a comunicação, o relacionamento, a aprendizagem, a mobilização, a expressão e a organização (física, emocional, mental, social e cognitiva) para desenvolver potenciais e/ou recuperar funções do indivíduo de forma que a pessoa possa alcançar melhor integração intra e interpessoal, bem-estar e melhor qualidade de vida.
Elisandra Vilella G. Sé
Musica para os futuros atletas
A Música e o Cérebro
Oliver Sacks
De todos os animais, o homem é o único dotado de ritmo, capaz de responder à música com movimentos. É também o único a apresentar um cérebro adaptado para compreender complexas estruturas musicais e ainda se emocionar com elas. Músicos apresentam alterações em regiões cerebrais jamais vistas em outros profissionais. Para o neurologista britânico Oliver Sacks, a musicalidade é tão primordial à espécie quanto a linguagem e entender a relação entre música e cérebro é crucial para a compreensão do homem.
Em seu mais novo livro, “Alucinações musicais” (Editora Companhia das Letras), o especialista relata casos de pessoas que reagem à música de formas incomuns. Há os que simplesmente não conseguem ouvi-la. E há os que a ouvem o tempo todo, mesmo quando nenhuma melodia está tocando.
Há gente que passou a ouvir os sons de forma diferente após ser submetido a uma cirurgia cerebral. E mesmo os que desenvolveram um incomum talento musical. Nesta entrevista, Sacks conta que há um vasto caminho ainda a percorrer para que se possa entender completamente esses fenômenos. Mas uma coisa, diz, é fato: “A música se apossou de muitas partes do cérebro humano.”
O GLOBO (Roberta Jansen): O senhor concorda com Charles Darwin quando ele diz que a música teve um papel importante na evolução? Especificamente na seleção sexual, como um atrativo a mais para o sexo oposto? (ver nota dos editores)
OLIVER SACKS: Como o comportamento e as suscetibilidades não deixam registros fósseis, é difícil saber como nossos ancestrais se comportavam. Mas estou inclinado a pensar que a música surgiu muito cedo na espécie humana, tão cedo quanto a linguagem. Linguagem e música são fontes de comunicação primordiais.
GLOBO: O senhor discorda, portanto, de Steven Pinker e de outros especialistas que sustentam que a música é um subproduto do aparato sensorial, prazerosa mas dispensável?
SACKS: Sim, discordo de Pinker. Não vejo a música como algo acidental e trivial, como um subproduto da linguagem.A música está presente em todas as culturas e apresenta, nos seres humanos, aspectos únicos que não têm paralelo na linguagem. Falo do ritmo, do fato de respondermos à música com movimentos. Nenhum outro animal faz isso. É preciso ver o ritmo como algo primordial na evolução humana.Porque todos os seres humanos respondem a ele. A música une as pessoas. E há conexões específicas no cérebro para isso.
GLOBO: Unir as pessoas poderia ser uma vantagem evolutiva?
SACKS: Não posso dizer que a musicalidade humana se desenvolveu para unir as pessoas.Mas algo surgiu, se mostrou vantajoso e houve a seleção dessa característica. É claro que a musicalidade é uma vantagem evolutiva. Nenhum outro animal dança com ritmo, mas qualquer criança o faz. Isso pode ter sido um fenômeno quando surgiu, todos esses pequenos seres dançando.
GLOBO: De que forma isso é marcado no cérebro humano?
SACKS: Muitas partes do cérebro se desenvolvem com a percepção, o aprendizado e a imaginação do ritmo. De novo, nenhum outro animal tem a capacidade de ouvir e analisar sons complexos, com tons, semitons, ritmos, palavras.Essa habilidade é especificamente humana. Mesmo pessoas que sofrem de mal de Alzheimer ou tiveram um derrame respondem à música.Várias estruturas do cérebro se relacionam a isso.
GLOBO: De que forma?
SACKS: A música se apossou de muitas partes do cérebro humano. É possível ver como o cérebro se modifica em resposta à música. Estudos com imagens do cérebro já comprovaram a ampliação de determinadas regiões no cérebro de músicos. Vendo imagens de cérebros, não dá para dizer quem é matemático ou escritor. Mas dá para dizer facilmente quem é músico quando essas estruturas ampliadas aparecem.
GLOBO: Há alguma parte do cérebro especialmente voltada para música?
SACKS: Não há uma só parte do cérebro. A música está em todo mundo, por todo o cérebro, envolve várias partes desse órgão e não necessariamente as mesmas. Isso é que é o mais incrível.
GLOBO: Mas há também os que não respondem de forma alguma à música, não é?
SACKS: Sim, há algumas pessoas que não percebem musica e ficam muito impressionados com os relatos. Há outros que não ouvem determinados tons ou semitons. Essas amusias ocorrem em razão de danos no cérebro. Parte da rede que está faltando.
GLOBO: E as alucinações musicais? Até que ponto elas poderiam ser interpretadas como um problema psicológico?
SACKS: Quando uma pessoa tem alucinação musical (ouve música que ninguém mais está ouvindo), a primeira coisa que pensa é que ficou louco, que está ouvindo coisas. Mas é um processo completamente diferente de ouvir vozes como os esquizofrênicos. Eles recebem ordens, é bem diferente e as pessoas enfatizam isso. Alucinações musicais são bem comuns, são como velhas memórias que tocam na mente. Não é uma doença mental.
GLOBO: Por que a música muitas vezes provoca uma reação emocional? Como o cérebro é capaz de diferenciar uma melodia triste de uma alegre?
SACKS: Um dos maiores poderes da música é controlar emoção, desenvolver, provocar respostas emocionais. Anatomicamente, podemos dizer que algumas regiões do cérebro afetadas pela música estão perto daquelas ligadas às emoções, envolvidas nas percepções dos cheiros que despertam memórias. Mas ainda não está claro como essas respostas emocionais ocorrem. Não se sabe ainda o quanto depende da cultura.
Oliver Sacks
De todos os animais, o homem é o único dotado de ritmo, capaz de responder à música com movimentos. É também o único a apresentar um cérebro adaptado para compreender complexas estruturas musicais e ainda se emocionar com elas. Músicos apresentam alterações em regiões cerebrais jamais vistas em outros profissionais. Para o neurologista britânico Oliver Sacks, a musicalidade é tão primordial à espécie quanto a linguagem e entender a relação entre música e cérebro é crucial para a compreensão do homem.
Em seu mais novo livro, “Alucinações musicais” (Editora Companhia das Letras), o especialista relata casos de pessoas que reagem à música de formas incomuns. Há os que simplesmente não conseguem ouvi-la. E há os que a ouvem o tempo todo, mesmo quando nenhuma melodia está tocando.
Há gente que passou a ouvir os sons de forma diferente após ser submetido a uma cirurgia cerebral. E mesmo os que desenvolveram um incomum talento musical. Nesta entrevista, Sacks conta que há um vasto caminho ainda a percorrer para que se possa entender completamente esses fenômenos. Mas uma coisa, diz, é fato: “A música se apossou de muitas partes do cérebro humano.”
O GLOBO (Roberta Jansen): O senhor concorda com Charles Darwin quando ele diz que a música teve um papel importante na evolução? Especificamente na seleção sexual, como um atrativo a mais para o sexo oposto? (ver nota dos editores)
OLIVER SACKS: Como o comportamento e as suscetibilidades não deixam registros fósseis, é difícil saber como nossos ancestrais se comportavam. Mas estou inclinado a pensar que a música surgiu muito cedo na espécie humana, tão cedo quanto a linguagem. Linguagem e música são fontes de comunicação primordiais.
GLOBO: O senhor discorda, portanto, de Steven Pinker e de outros especialistas que sustentam que a música é um subproduto do aparato sensorial, prazerosa mas dispensável?
SACKS: Sim, discordo de Pinker. Não vejo a música como algo acidental e trivial, como um subproduto da linguagem.A música está presente em todas as culturas e apresenta, nos seres humanos, aspectos únicos que não têm paralelo na linguagem. Falo do ritmo, do fato de respondermos à música com movimentos. Nenhum outro animal faz isso. É preciso ver o ritmo como algo primordial na evolução humana.Porque todos os seres humanos respondem a ele. A música une as pessoas. E há conexões específicas no cérebro para isso.
GLOBO: Unir as pessoas poderia ser uma vantagem evolutiva?
SACKS: Não posso dizer que a musicalidade humana se desenvolveu para unir as pessoas.Mas algo surgiu, se mostrou vantajoso e houve a seleção dessa característica. É claro que a musicalidade é uma vantagem evolutiva. Nenhum outro animal dança com ritmo, mas qualquer criança o faz. Isso pode ter sido um fenômeno quando surgiu, todos esses pequenos seres dançando.
GLOBO: De que forma isso é marcado no cérebro humano?
SACKS: Muitas partes do cérebro se desenvolvem com a percepção, o aprendizado e a imaginação do ritmo. De novo, nenhum outro animal tem a capacidade de ouvir e analisar sons complexos, com tons, semitons, ritmos, palavras.Essa habilidade é especificamente humana. Mesmo pessoas que sofrem de mal de Alzheimer ou tiveram um derrame respondem à música.Várias estruturas do cérebro se relacionam a isso.
GLOBO: De que forma?
SACKS: A música se apossou de muitas partes do cérebro humano. É possível ver como o cérebro se modifica em resposta à música. Estudos com imagens do cérebro já comprovaram a ampliação de determinadas regiões no cérebro de músicos. Vendo imagens de cérebros, não dá para dizer quem é matemático ou escritor. Mas dá para dizer facilmente quem é músico quando essas estruturas ampliadas aparecem.
GLOBO: Há alguma parte do cérebro especialmente voltada para música?
SACKS: Não há uma só parte do cérebro. A música está em todo mundo, por todo o cérebro, envolve várias partes desse órgão e não necessariamente as mesmas. Isso é que é o mais incrível.
GLOBO: Mas há também os que não respondem de forma alguma à música, não é?
SACKS: Sim, há algumas pessoas que não percebem musica e ficam muito impressionados com os relatos. Há outros que não ouvem determinados tons ou semitons. Essas amusias ocorrem em razão de danos no cérebro. Parte da rede que está faltando.
GLOBO: E as alucinações musicais? Até que ponto elas poderiam ser interpretadas como um problema psicológico?
SACKS: Quando uma pessoa tem alucinação musical (ouve música que ninguém mais está ouvindo), a primeira coisa que pensa é que ficou louco, que está ouvindo coisas. Mas é um processo completamente diferente de ouvir vozes como os esquizofrênicos. Eles recebem ordens, é bem diferente e as pessoas enfatizam isso. Alucinações musicais são bem comuns, são como velhas memórias que tocam na mente. Não é uma doença mental.
GLOBO: Por que a música muitas vezes provoca uma reação emocional? Como o cérebro é capaz de diferenciar uma melodia triste de uma alegre?
SACKS: Um dos maiores poderes da música é controlar emoção, desenvolver, provocar respostas emocionais. Anatomicamente, podemos dizer que algumas regiões do cérebro afetadas pela música estão perto daquelas ligadas às emoções, envolvidas nas percepções dos cheiros que despertam memórias. Mas ainda não está claro como essas respostas emocionais ocorrem. Não se sabe ainda o quanto depende da cultura.
sábado, 25 de dezembro de 2010
Tostão sobre o pênalti em Ronaldo
Tostão é reconhecido como um dos textos mais sensatos do jornalismo esportivo brasileiro. Ele não é de comentar arbitragens. Mas, como um craque inteligente que foi e como jogador experiente, que viveu intimamente o mundo do futebol, sabe quando há algo estranho no ar.
Leia o que ele escreveu sobre a arbitragem de Corinthians e Cruzeiro e sobre a maneira como ela foi tratada por boa parte da crônica esportiva:
OS ZÉ REGRINHAS
Cada vez mais, os árbitros brasileiros decidem as partidas, com a aprovação de muitos comentaristas
Como gosta de dizer Mauro Cezar Pereira, brilhante comentarista da ESPN Brasil, houve no fim de semana mais um pênalti à brasileira, a favor do Corinthians, que não deveria ser pênalti no Brasil, na Europa nem em nenhum lugar do mundo. Esse tipo de erro acontece toda rodada, a favor de diferentes clubes.
Cada vez mais os jogos no Brasil são decididos pelos árbitros. Pênalti é tão decisivo, que só deveria ser marcado quando houvesse certeza. Dizer que falta fora e dentro da área são a mesma coisa, porque a regra não faz essa distinção, é uma visão operatória e ingênua.
Foi mais um pênalti virtual. No momento do lance, raríssimas pessoas acharam que foi pênalti. Depois de assistir ao lance mil vezes, comentaristas, ex-árbitros ou não, e seus milhões de seguidores passaram a valorizar o que não tem nenhuma importância. A câmera lenta, nesses casos, atrapalha mais que ajuda.
Querem transportar a regra para o lance. É o contrário. Temos de observar primeiro e depois confirmar se o que vimos está na regra. Seria como um médico diagnosticar a doença pelo que leu, e não pelo que viu. As pessoas estão perdendo a capacidade de observar. São os Zé-Regrinhas. Adoram regras, que decidem para eles.
Leia o que ele escreveu sobre a arbitragem de Corinthians e Cruzeiro e sobre a maneira como ela foi tratada por boa parte da crônica esportiva:
OS ZÉ REGRINHAS
Cada vez mais, os árbitros brasileiros decidem as partidas, com a aprovação de muitos comentaristas
Como gosta de dizer Mauro Cezar Pereira, brilhante comentarista da ESPN Brasil, houve no fim de semana mais um pênalti à brasileira, a favor do Corinthians, que não deveria ser pênalti no Brasil, na Europa nem em nenhum lugar do mundo. Esse tipo de erro acontece toda rodada, a favor de diferentes clubes.
Cada vez mais os jogos no Brasil são decididos pelos árbitros. Pênalti é tão decisivo, que só deveria ser marcado quando houvesse certeza. Dizer que falta fora e dentro da área são a mesma coisa, porque a regra não faz essa distinção, é uma visão operatória e ingênua.
Foi mais um pênalti virtual. No momento do lance, raríssimas pessoas acharam que foi pênalti. Depois de assistir ao lance mil vezes, comentaristas, ex-árbitros ou não, e seus milhões de seguidores passaram a valorizar o que não tem nenhuma importância. A câmera lenta, nesses casos, atrapalha mais que ajuda.
Querem transportar a regra para o lance. É o contrário. Temos de observar primeiro e depois confirmar se o que vimos está na regra. Seria como um médico diagnosticar a doença pelo que leu, e não pelo que viu. As pessoas estão perdendo a capacidade de observar. São os Zé-Regrinhas. Adoram regras, que decidem para eles.
O gol que o Tostão acabou de marcar foi o maior da sua carreira.
O presidente Lula e a Associação dos Campeões Mundiais do Brasil negociam aposentadoria e indenização para os atletas da seleção que ganharam Copas do Mundo. O benefício valerá inicialmente aos ex-jogadores de 1958 e se estenderá, posteriormente, a quem atuou nos Mundiais de 1962, 1970, 1994 e 2002. Reunião na Casa Civil discutiu as cifras a serem pagas aos campeões. Inicialmente, o valor negociado para cada um gira em torno de mil salários mínimos, no caso da indenização (465 mil reais), e de dez salários mínimos (4.650 reais), o teto da Previdência, para a aposentadoria. A expectativa é que o anúncio da nova medida seja feito pelo governo na próxima semana.
O texto abaixo foi escrito por TOSTÃO, ex-jogador de futebol, comentarista esportivo, escritor e médico, e foi publicado em vários jornais do Brasil:
Tostão escreveu:-
Na semana passada, ao chegar de férias, soube, sem ainda saber detalhes, que o governo federal vai premiar, com um pouco mais de R$ 400 mil, cada um dos campeões do mundo, pelo Brasil, em todas as Copas.
Não há razão para isso. Podem tirar meu nome da lista, mesmo sabendo que preciso trabalhar durante anos para ganhar essa quantia.
O governo não pode distribuir dinheiro público. Se fosse assim, os campeões de outros esportes teriam o mesmo direito. E os atletas que não foram campeões do mundo, mas que lutaram da mesma forma? Além disso, todos os campeões foram premiados pelos títulos. Após a Copa de 1970, recebemos um bom dinheiro, de acordo com os valores de referência da época..
O que precisa ser feito pelo governo, CBF e clubes por onde atuaram esses atletas é ajudar os que passam por grandes dificuldades, além de criar e aprimorar leis de proteção aos jogadores e suas famílias, como pensões e aposentadorias.
É necessário ainda preparar os atletas em atividade para o futuro, para terem condições técnicas e emocionais de exercer outras atividades.
A vida é curta, e a dos atletas, mais ainda.
Alguns vão lembrar e criticar que recebi, junto com os campeões de 1970, um carro Fusca da prefeitura de São Paulo. Na época, o prefeito era Paulo Maluf. Se tivesse a consciência que tenho hoje, não aceitaria.
Tinha 23 anos, estava eufórico e achava que era uma grande homenagem.
Ainda bem que a justiça obrigou o prefeito a devolver aos cofres públicos, com o próprio dinheiro, o valor para a compra dos carros.
Não foi o único erro que cometi na vida. Sou apenas um cidadão que tenta ser justo e correto. É minha obrigação.
Tostão
O texto abaixo foi escrito por TOSTÃO, ex-jogador de futebol, comentarista esportivo, escritor e médico, e foi publicado em vários jornais do Brasil:
Tostão escreveu:-
Na semana passada, ao chegar de férias, soube, sem ainda saber detalhes, que o governo federal vai premiar, com um pouco mais de R$ 400 mil, cada um dos campeões do mundo, pelo Brasil, em todas as Copas.
Não há razão para isso. Podem tirar meu nome da lista, mesmo sabendo que preciso trabalhar durante anos para ganhar essa quantia.
O governo não pode distribuir dinheiro público. Se fosse assim, os campeões de outros esportes teriam o mesmo direito. E os atletas que não foram campeões do mundo, mas que lutaram da mesma forma? Além disso, todos os campeões foram premiados pelos títulos. Após a Copa de 1970, recebemos um bom dinheiro, de acordo com os valores de referência da época..
O que precisa ser feito pelo governo, CBF e clubes por onde atuaram esses atletas é ajudar os que passam por grandes dificuldades, além de criar e aprimorar leis de proteção aos jogadores e suas famílias, como pensões e aposentadorias.
É necessário ainda preparar os atletas em atividade para o futuro, para terem condições técnicas e emocionais de exercer outras atividades.
A vida é curta, e a dos atletas, mais ainda.
Alguns vão lembrar e criticar que recebi, junto com os campeões de 1970, um carro Fusca da prefeitura de São Paulo. Na época, o prefeito era Paulo Maluf. Se tivesse a consciência que tenho hoje, não aceitaria.
Tinha 23 anos, estava eufórico e achava que era uma grande homenagem.
Ainda bem que a justiça obrigou o prefeito a devolver aos cofres públicos, com o próprio dinheiro, o valor para a compra dos carros.
Não foi o único erro que cometi na vida. Sou apenas um cidadão que tenta ser justo e correto. É minha obrigação.
Tostão
Todos apoiaram João Saldanha, menos Pelé
Há 40 anos, uma das páginas mais polêmicas da história do futebol brasileiro era escrita. Três meses antes da Copa do Mundo de 1970, o então técnico da seleção, o jornalista João Saldanha, recebia a notícia de que havia sido demitido, apesar do retrospecto vitorioso e da indiscutível popularidade. Muito se especulou sobre o afastamento do furioso "João Sem Medo", aquele, segundo Nelson Rodrigues, capaz de explodir na presença de um fósforo aceso - "maravilhoso defeito", de acordo com o escritor.
Disposto a desconstruir mitos em torno da queda de Saldanha, o jornalista carioca Carlos Ferreira Vilarinho decidiu se debruçar sobre o tema. Ao longo de dez anos, recuperou histórias, alinhavou fatos, mergulhou de cabeça na vida do mais controverso técnico que esteve à frente do selecionado canarinho. O resultado é o livro Quem Derrubou João Saldanha (Editora Livrosdefutebol.com) - o primeiro de Vilarinho -, cujo lançamento está programado para o próximo dia 8, no Rio de Janeiro.
- São vários mitos. O mais imoral deles é o que acusa o próprio Saldanha por sua derrubada - diz Vilarinho, referindo-se à ideia de que o temperamento impertinente do técnico teria sido a principal causa de sua degola.
Para o jornalista, admirador confesso de Saldanha, com quem tem identificações "políticas e esportivas", a demissão foi minuciosamente arquitetada pela ditadura militar, a mesma que teria aprovado o nome do treinador para assumir o cargo de comandante da seleção.
- Todo plano da seleção brasileira de 1970 foi submetido, previamente, à Comissão de Desportos do Exército (CDE) e aprovado. Inclusive, o nome do técnico foi submetido e aprovado.
Vilarinho afirma que, antes de receber o "golpe final", Saldanha passou por um processo de "fritura" e de provocação, visando enervá-lo. O autor defende ainda que a saída do técnico, um "militante destacado do Partido Comunista Brasileiro", era certa, independentemente do histórico vitorioso.
- Ele era uma ameaça e mais: não se admitia que um militante do quilate do Saldanha voltasse com a Jules Rimet nas mãos, voltasse nos braços do povo. A vitória não poderia ser atribuída a um líder oposicionista, a uma figura inimiga do regime "nazista" que vigorava no Brasil.
O autor desmistifica ainda outro rumor: o de que a relação entre o técnico e os jogadores da seleção estaria desgastada.
- Os atletas, com exceção de Pelé, liderados por Brito (zagueiro), estavam dispostos a declarar solidariedade ao técnico e a exigir que ele ficasse na seleção. Foram demovidos dessa intenção pela mulher de Saldanha, Tereza Bulhões. Ela argumentou que, se eles fizessem isso, não teria nenhum efeito porque a decisão já estava tomada e que os jogadores poderiam sair prejudicados, sendo cortados da seleção.
Confira a entrevista.
Terra Magazine - O que o livro apresenta de novo sobre os bastidores da demissão de João Saldanha do comando da seleção brasileira, às vésperas da Copa de 1970?
Carlos Ferreira Vilarinho - Penso que este livro vai alterar a visão que se tem dessa seleção, dessa campanha do tricampeonato. Depois desse livro, ninguém mais vai falar dessa Copa do Mundo como antes. O livro demonstra, em primeiro lugar, que a seleção do tricampeonato foi praticamente escalada por João Saldanha, em junho de 1968, ao contrário do que se apregoa. Nenhuma seleção é feita em alguns meses. O embrião da seleção de 1970 já aparece nitidamente em maio de 1964, no scratch que disputou a Taça das Nações, escalado por (Vicente) Feola.
Como foi o processo de pesquisa e elaboração do livro? Foram quantos anos de trabalho?
O livro me custou nove anos de trabalho. Comecei a escrever em julho de 2000.
E o que te motivou?
Minha admiração por João Saldanha. Identificações políticas e esportivas. O ponto de partida foi a minha recusa em aceitar a tese de que a seleção de 1970 deveria ser creditada a Zagallo. Eu também não aceitava, com a mesma força, a tese que atribuía a Saldanha, a defesa do sistema 4-2-4. Isso é mentira. Lá por 1997, resolvi fazer uma monografia sobre a queda de Saldanha. Em 2000, retomei e terminei de escrever já com a intenção de fazer um livro. Terminei em outubro de 2001 e resolvi escrever uma biografia, porque achei que a nova geração não conhecia João Saldanha o suficiente. Terminei a biografia, mas ficou muito grande, então, desisti de publicar. Decidi publicar esse livro, contando só o espisódio da ascenção e queda de João Saldanha.
O que é mito e o que é verdade na queda de Saldanha?
São vários mitos. O mais imoral deles é o que acusa o próprio Saldanha por sua derrubada. A tese de que ele foi derrubado por si mesmo, devido ao seu descontrole emocional. Isso não é verdade.
Qual é a verdade, segundo suas pesquisas?
Foi derrubado pela Ditadura Militar.
Qual foi a influência daquela entrevista dada por João Saldanha, na véspera do amistoso da seleção contra a Argentina, em Porto Alegre? O técnico, ao ser questionado se sabia que o presidente da República na época, Emílio Médici, queria a convocação do centroavante Dario, respondeu que o presidente escalava o ministério e ele, o time. Isso foi determinante?
Foi determinante, mas a decisão da demissão é anterior ao episódio. Sustento que a decisão do regime militar de derrubá-lo vem desde que ele classificou o Brasil para a Copa do Mundo.
Mas qual foi a razão exatamente? Ele tinha um retrospecto invejável como treinador e, apesar de polêmico, era uma figura popular.
Ele não servia mais à ditadura militar. A Confederação Brasileira de Desportos (CBD), quando o convidou, sabia perfeitamente que ele era um militante destacado do Partido Comunista Brasileiro. Era uma liderança, uma figura nacional, adorado pelo povo e respeitado internacionalmente. Todo plano da seleção brasileira de 1970 foi submetido previamente à Comissão de Desportos do Exército (CDE) e aprovado. Inclusive, o nome do técnico foi submetido e aprovado.
Por que o nome de Saldanha foi aprovado?
Ele era o principal porta-voz dos críticos às diretrizes da CBD, que levaram ao fiasco em Liverpool, em 1966. Como ele era a principal autoridade em futebol na época, nada melhor do que entregar a ele e ver se dava conta, já que ele sabia criticar.
A ideia era "queimar" o Saldanha?
Não. A CBD sabia que ele seria vitorioso e sua escolha traria um dividendo extraordinário para ela, que seria trazer para o apoio à seleção brasileira, de toda a imprensa carioca, neutralizando a oposição sistemática da imprensa paulista. Esse foi o motivo que o levou para lá.
Agora, o motivo que o levou a ser posto para fora é porque, com a classificação da seleção, a sua tarefa já estava cumprida. Tratava-se agora de substituí-lo por outro para completar a tarefa. Ele não servia mais. Até porque, após a classificação do Brasil, ele fez uma série de incursões pela Europa para observar os possíveis adversários na chave do seleção e nas fases seguintes.
O que ocorre é que, no dia 4 de novembro de 1969, um grande amigo do João Saldanha foi assassinado pelo exército. Carlos Marighella. Saldanha estava com a morte do amigo atravessada na garganta. Perguntado sobre o que acontecia no Brasil, ele fez uma série de denúncias gravíssimas, confirmando aquilo que se sabia e se denunciava, que era o desaparecimento de presos políticos, torturas. Evidentemente, essa atitude não poderia passar em branco. Em novembro de 1969, seu futuro já estava riscado. Em janeiro de 1970, quando ele viajou para o México, junto com dirigentes da CBD, para acompanhar o sorteio das chaves, ele encontrou outro amigo dele, o Didi, técnico da seleção peruana, e falou que, provavelmente, não duraria muito tempo na seleção.
Ele já sabia que sairia?
Já sabia. E as provocações contra ele, como as da parte de um teleguiado, como era o Yustrich (técnico do Flamengo na época), recados na imprensa enfiados por Médici faziam parte de um processo de "fritura" e de provocação, visando enervá-lo, já que ele era conhecido por não levar desaforo para casa e responder na bucha.
Houve aquele episódio em que ele procurou, armado, o técnico do Flamengo, para tirar satisfações...
Sim, mas, voltando à sua pergunta, a resposta exata que ele deu foi: "E nem eu escalo ministério nem o presidente escala time. Então, está vendo que nós nos entendemos muito bem". Essa resposta foi encarada como impertinente. Não obedece ao presidente. Isso foi no dia 3 de março. Ele foi derrubado no dia 17, 12 dias depois.
Ele era uma ameaça?
Era uma ameaça e mais: não se admitia que um militante do quilate do Saldanha voltasse com a Jules Rimet nas mãos, voltasse nos braços do povo. A vitória não poderia ser atribuída a um líder oposicionista, a uma figura inimiga do regime "nazista" que vigorava no Brasil.
Já foi dito que o então presidente da CBD, João Havelange, teria sido um dos articuladores da queda de Saldanha. Isso tem fundamento?
Não vejo assim. Havelange tinha respeito por Saldanha. Não era um nazista. Ele que colocou Saldanha lá. Num sábado, dia 14 de março de 1970, ele fez questão de comparecer ao jogo-treino, no estádio de Moça Bonita, ao lado da família do Saldanha. Para que ele fez isso? Para reforçar a posição de Saldanha, logo depois do incidente em que ele invadiu a concentração do Flamengo para tirar satisfações com o técnico Yustrich, que o tinha chamado de covarde.
Ele foi armado?
Foi armado, não encontrou o Yustrich, voltou para a concentração da seleção e reportou tudo para Antônio do Passo (diretor de futebol na época) e outros dirigentes da CBD. O Havelange não estava. Chegou lá depois. Ele se solidarizou. Não só Havelange. Antônio do Passo hipotecou irrestrita solidariedade a Saldanha, condenando, inclusive, o Flamengo por não reprimir o seu funcionário pelos ataques contra o técnico da seleção.
Esses ataques eram orquestrados por alguém?
Eram premeditados. O Yustrich estava certo de que seria o substituto de Saldanha. Ele foi cogitado e só não foi escolhido porque no dia da demissão de Saldanha, os jogadores anunciaram que iriam embora, se ele fosse o substituto.
Como a seleção da época recebeu a demissão do João Saldanha?
Os jogadores receberam muito mal. Na tarde do dia 17, os atletas, com exceção de Pelé, liderados por Brito (zagueiro), estavam dispostos a declarar solidariedade ao técnico e exigir que ele ficasse na seleção. Foram demovidos dessa intenção pela mulher de Saldanha, Tereza Bulhões.
Ela argumentou que, se eles fizessem isso, não teria nenhum efeito porque a decisão já estava tomada e que os jogadores poderiam sair prejudicados, sendo cortados da seleção. E que o João Saldanha preferia que eles não tomassem nenhuma atitude porque seria inútil. Ele era admiradíssimo pelos jogadores e adorava aquele time.
E como o Saldanha recebeu a demissão? Você falou que ele já esperava...
Já esperava. Tanto já esperava que, no dia 2 de fevereiro, aceitou o convite para trabalhar nas Organizações Globo. Ele tinha ideia de que a qualquer momento seria demitido. Além disso, voltando para a imprensa, do qual havia se afastado, ele teria uma tribuna para se defender dos ataques sistemáticos que recebia dos provocadores.
Mas a decisão de Saldanha criou um fato novo porque, até então, a imprensa carioca, que o apoiava, se dividiu, já que uma parte viu no gesto do técnico a criação de uma concorrência imbatível. O Jornal do Brasil fez até editorial condenando a volta de João Saldanha à profissão. Mas ele ficou muito triste com a demissão porque até o sábado, contava com apoio irrestrito da CBD e, entretanto, na segunda-feira, foi convocado para uma reunião na sede da CBD para discutir com o Antônio do Passo e o Havelange. Quando chegou em casa, foi informado, pela imprensa, que Antônio do Passo exigia "ou ele ou eu". Ele ficou muito sentido, mas não pode ter se surpreendido.
Por que o nome do Zagallo foi escolhido?
É fácil responder. No dia 17, à noite, já circulavam nos corredores da CBD, três nomes: Dino Sani, Zagallo e Otto Glória, de acordo com as preferências dos dirigentes. No dia 18, Antônio do Passo foi ao aeroporto receber o Dino Sani. Só que ele alegou oficialmente que não se considerava apto ainda. Ele era técnico do Corinthians, mas era relativamente novo na profissão. Alegou falta de condições psicológicas. O que se sabe é que ele não aceitou trabalhar sob a supervisão do capitão Cláudio Coutinho (preparador físico), que, a essa altura, já tinha tomado o lugar do Russo que, em solidariedade a Saldanha, havia saído. Ele foi o único membro da comissão técnica escolhido por Saldanha. Também não aceitou nomes previamente escolhidos por outros. Entre parênteses: Dario. Pegou o avião e voltou para o trabalho dele.
Então, o Antônio do Passo saiu dali e foi se encontrar com o Zagallo no treino do Botafogo. E o Zagallo aceitou tudo e pegou o emprego.
O Zagallo tinha um perfil mais flexível, aceitava interferências?
Eu não diria isso. Ele é pragmático. Sabia, por exemplo, que no time dele não tinha vaga para o Dario. Mas poderia ter vaga nos reservas. Não comprava brigas indigestas. Até porque ele, com toda razão, sabia do seu valor. Em fevereiro de 1969, ele era o favorito para substituir o Aymoré Moreira (técnico que esteve no comando da seleção no Mundial de 1962).
O terceiro nome, Otto Glória, rechaçou rudemente, dizendo que não admitiria jamais dividir o comando do escrete. Uma atitude corajosa.
Naquele contexto, qual era o grau de influência do regime militar nas decisões da CBD?
Total e absoluto.
Disposto a desconstruir mitos em torno da queda de Saldanha, o jornalista carioca Carlos Ferreira Vilarinho decidiu se debruçar sobre o tema. Ao longo de dez anos, recuperou histórias, alinhavou fatos, mergulhou de cabeça na vida do mais controverso técnico que esteve à frente do selecionado canarinho. O resultado é o livro Quem Derrubou João Saldanha (Editora Livrosdefutebol.com) - o primeiro de Vilarinho -, cujo lançamento está programado para o próximo dia 8, no Rio de Janeiro.
- São vários mitos. O mais imoral deles é o que acusa o próprio Saldanha por sua derrubada - diz Vilarinho, referindo-se à ideia de que o temperamento impertinente do técnico teria sido a principal causa de sua degola.
Para o jornalista, admirador confesso de Saldanha, com quem tem identificações "políticas e esportivas", a demissão foi minuciosamente arquitetada pela ditadura militar, a mesma que teria aprovado o nome do treinador para assumir o cargo de comandante da seleção.
- Todo plano da seleção brasileira de 1970 foi submetido, previamente, à Comissão de Desportos do Exército (CDE) e aprovado. Inclusive, o nome do técnico foi submetido e aprovado.
Vilarinho afirma que, antes de receber o "golpe final", Saldanha passou por um processo de "fritura" e de provocação, visando enervá-lo. O autor defende ainda que a saída do técnico, um "militante destacado do Partido Comunista Brasileiro", era certa, independentemente do histórico vitorioso.
- Ele era uma ameaça e mais: não se admitia que um militante do quilate do Saldanha voltasse com a Jules Rimet nas mãos, voltasse nos braços do povo. A vitória não poderia ser atribuída a um líder oposicionista, a uma figura inimiga do regime "nazista" que vigorava no Brasil.
O autor desmistifica ainda outro rumor: o de que a relação entre o técnico e os jogadores da seleção estaria desgastada.
- Os atletas, com exceção de Pelé, liderados por Brito (zagueiro), estavam dispostos a declarar solidariedade ao técnico e a exigir que ele ficasse na seleção. Foram demovidos dessa intenção pela mulher de Saldanha, Tereza Bulhões. Ela argumentou que, se eles fizessem isso, não teria nenhum efeito porque a decisão já estava tomada e que os jogadores poderiam sair prejudicados, sendo cortados da seleção.
Confira a entrevista.
Terra Magazine - O que o livro apresenta de novo sobre os bastidores da demissão de João Saldanha do comando da seleção brasileira, às vésperas da Copa de 1970?
Carlos Ferreira Vilarinho - Penso que este livro vai alterar a visão que se tem dessa seleção, dessa campanha do tricampeonato. Depois desse livro, ninguém mais vai falar dessa Copa do Mundo como antes. O livro demonstra, em primeiro lugar, que a seleção do tricampeonato foi praticamente escalada por João Saldanha, em junho de 1968, ao contrário do que se apregoa. Nenhuma seleção é feita em alguns meses. O embrião da seleção de 1970 já aparece nitidamente em maio de 1964, no scratch que disputou a Taça das Nações, escalado por (Vicente) Feola.
Como foi o processo de pesquisa e elaboração do livro? Foram quantos anos de trabalho?
O livro me custou nove anos de trabalho. Comecei a escrever em julho de 2000.
E o que te motivou?
Minha admiração por João Saldanha. Identificações políticas e esportivas. O ponto de partida foi a minha recusa em aceitar a tese de que a seleção de 1970 deveria ser creditada a Zagallo. Eu também não aceitava, com a mesma força, a tese que atribuía a Saldanha, a defesa do sistema 4-2-4. Isso é mentira. Lá por 1997, resolvi fazer uma monografia sobre a queda de Saldanha. Em 2000, retomei e terminei de escrever já com a intenção de fazer um livro. Terminei em outubro de 2001 e resolvi escrever uma biografia, porque achei que a nova geração não conhecia João Saldanha o suficiente. Terminei a biografia, mas ficou muito grande, então, desisti de publicar. Decidi publicar esse livro, contando só o espisódio da ascenção e queda de João Saldanha.
O que é mito e o que é verdade na queda de Saldanha?
São vários mitos. O mais imoral deles é o que acusa o próprio Saldanha por sua derrubada. A tese de que ele foi derrubado por si mesmo, devido ao seu descontrole emocional. Isso não é verdade.
Qual é a verdade, segundo suas pesquisas?
Foi derrubado pela Ditadura Militar.
Qual foi a influência daquela entrevista dada por João Saldanha, na véspera do amistoso da seleção contra a Argentina, em Porto Alegre? O técnico, ao ser questionado se sabia que o presidente da República na época, Emílio Médici, queria a convocação do centroavante Dario, respondeu que o presidente escalava o ministério e ele, o time. Isso foi determinante?
Foi determinante, mas a decisão da demissão é anterior ao episódio. Sustento que a decisão do regime militar de derrubá-lo vem desde que ele classificou o Brasil para a Copa do Mundo.
Mas qual foi a razão exatamente? Ele tinha um retrospecto invejável como treinador e, apesar de polêmico, era uma figura popular.
Ele não servia mais à ditadura militar. A Confederação Brasileira de Desportos (CBD), quando o convidou, sabia perfeitamente que ele era um militante destacado do Partido Comunista Brasileiro. Era uma liderança, uma figura nacional, adorado pelo povo e respeitado internacionalmente. Todo plano da seleção brasileira de 1970 foi submetido previamente à Comissão de Desportos do Exército (CDE) e aprovado. Inclusive, o nome do técnico foi submetido e aprovado.
Por que o nome de Saldanha foi aprovado?
Ele era o principal porta-voz dos críticos às diretrizes da CBD, que levaram ao fiasco em Liverpool, em 1966. Como ele era a principal autoridade em futebol na época, nada melhor do que entregar a ele e ver se dava conta, já que ele sabia criticar.
A ideia era "queimar" o Saldanha?
Não. A CBD sabia que ele seria vitorioso e sua escolha traria um dividendo extraordinário para ela, que seria trazer para o apoio à seleção brasileira, de toda a imprensa carioca, neutralizando a oposição sistemática da imprensa paulista. Esse foi o motivo que o levou para lá.
Agora, o motivo que o levou a ser posto para fora é porque, com a classificação da seleção, a sua tarefa já estava cumprida. Tratava-se agora de substituí-lo por outro para completar a tarefa. Ele não servia mais. Até porque, após a classificação do Brasil, ele fez uma série de incursões pela Europa para observar os possíveis adversários na chave do seleção e nas fases seguintes.
O que ocorre é que, no dia 4 de novembro de 1969, um grande amigo do João Saldanha foi assassinado pelo exército. Carlos Marighella. Saldanha estava com a morte do amigo atravessada na garganta. Perguntado sobre o que acontecia no Brasil, ele fez uma série de denúncias gravíssimas, confirmando aquilo que se sabia e se denunciava, que era o desaparecimento de presos políticos, torturas. Evidentemente, essa atitude não poderia passar em branco. Em novembro de 1969, seu futuro já estava riscado. Em janeiro de 1970, quando ele viajou para o México, junto com dirigentes da CBD, para acompanhar o sorteio das chaves, ele encontrou outro amigo dele, o Didi, técnico da seleção peruana, e falou que, provavelmente, não duraria muito tempo na seleção.
Ele já sabia que sairia?
Já sabia. E as provocações contra ele, como as da parte de um teleguiado, como era o Yustrich (técnico do Flamengo na época), recados na imprensa enfiados por Médici faziam parte de um processo de "fritura" e de provocação, visando enervá-lo, já que ele era conhecido por não levar desaforo para casa e responder na bucha.
Houve aquele episódio em que ele procurou, armado, o técnico do Flamengo, para tirar satisfações...
Sim, mas, voltando à sua pergunta, a resposta exata que ele deu foi: "E nem eu escalo ministério nem o presidente escala time. Então, está vendo que nós nos entendemos muito bem". Essa resposta foi encarada como impertinente. Não obedece ao presidente. Isso foi no dia 3 de março. Ele foi derrubado no dia 17, 12 dias depois.
Ele era uma ameaça?
Era uma ameaça e mais: não se admitia que um militante do quilate do Saldanha voltasse com a Jules Rimet nas mãos, voltasse nos braços do povo. A vitória não poderia ser atribuída a um líder oposicionista, a uma figura inimiga do regime "nazista" que vigorava no Brasil.
Já foi dito que o então presidente da CBD, João Havelange, teria sido um dos articuladores da queda de Saldanha. Isso tem fundamento?
Não vejo assim. Havelange tinha respeito por Saldanha. Não era um nazista. Ele que colocou Saldanha lá. Num sábado, dia 14 de março de 1970, ele fez questão de comparecer ao jogo-treino, no estádio de Moça Bonita, ao lado da família do Saldanha. Para que ele fez isso? Para reforçar a posição de Saldanha, logo depois do incidente em que ele invadiu a concentração do Flamengo para tirar satisfações com o técnico Yustrich, que o tinha chamado de covarde.
Ele foi armado?
Foi armado, não encontrou o Yustrich, voltou para a concentração da seleção e reportou tudo para Antônio do Passo (diretor de futebol na época) e outros dirigentes da CBD. O Havelange não estava. Chegou lá depois. Ele se solidarizou. Não só Havelange. Antônio do Passo hipotecou irrestrita solidariedade a Saldanha, condenando, inclusive, o Flamengo por não reprimir o seu funcionário pelos ataques contra o técnico da seleção.
Esses ataques eram orquestrados por alguém?
Eram premeditados. O Yustrich estava certo de que seria o substituto de Saldanha. Ele foi cogitado e só não foi escolhido porque no dia da demissão de Saldanha, os jogadores anunciaram que iriam embora, se ele fosse o substituto.
Como a seleção da época recebeu a demissão do João Saldanha?
Os jogadores receberam muito mal. Na tarde do dia 17, os atletas, com exceção de Pelé, liderados por Brito (zagueiro), estavam dispostos a declarar solidariedade ao técnico e exigir que ele ficasse na seleção. Foram demovidos dessa intenção pela mulher de Saldanha, Tereza Bulhões.
Ela argumentou que, se eles fizessem isso, não teria nenhum efeito porque a decisão já estava tomada e que os jogadores poderiam sair prejudicados, sendo cortados da seleção. E que o João Saldanha preferia que eles não tomassem nenhuma atitude porque seria inútil. Ele era admiradíssimo pelos jogadores e adorava aquele time.
E como o Saldanha recebeu a demissão? Você falou que ele já esperava...
Já esperava. Tanto já esperava que, no dia 2 de fevereiro, aceitou o convite para trabalhar nas Organizações Globo. Ele tinha ideia de que a qualquer momento seria demitido. Além disso, voltando para a imprensa, do qual havia se afastado, ele teria uma tribuna para se defender dos ataques sistemáticos que recebia dos provocadores.
Mas a decisão de Saldanha criou um fato novo porque, até então, a imprensa carioca, que o apoiava, se dividiu, já que uma parte viu no gesto do técnico a criação de uma concorrência imbatível. O Jornal do Brasil fez até editorial condenando a volta de João Saldanha à profissão. Mas ele ficou muito triste com a demissão porque até o sábado, contava com apoio irrestrito da CBD e, entretanto, na segunda-feira, foi convocado para uma reunião na sede da CBD para discutir com o Antônio do Passo e o Havelange. Quando chegou em casa, foi informado, pela imprensa, que Antônio do Passo exigia "ou ele ou eu". Ele ficou muito sentido, mas não pode ter se surpreendido.
Por que o nome do Zagallo foi escolhido?
É fácil responder. No dia 17, à noite, já circulavam nos corredores da CBD, três nomes: Dino Sani, Zagallo e Otto Glória, de acordo com as preferências dos dirigentes. No dia 18, Antônio do Passo foi ao aeroporto receber o Dino Sani. Só que ele alegou oficialmente que não se considerava apto ainda. Ele era técnico do Corinthians, mas era relativamente novo na profissão. Alegou falta de condições psicológicas. O que se sabe é que ele não aceitou trabalhar sob a supervisão do capitão Cláudio Coutinho (preparador físico), que, a essa altura, já tinha tomado o lugar do Russo que, em solidariedade a Saldanha, havia saído. Ele foi o único membro da comissão técnica escolhido por Saldanha. Também não aceitou nomes previamente escolhidos por outros. Entre parênteses: Dario. Pegou o avião e voltou para o trabalho dele.
Então, o Antônio do Passo saiu dali e foi se encontrar com o Zagallo no treino do Botafogo. E o Zagallo aceitou tudo e pegou o emprego.
O Zagallo tinha um perfil mais flexível, aceitava interferências?
Eu não diria isso. Ele é pragmático. Sabia, por exemplo, que no time dele não tinha vaga para o Dario. Mas poderia ter vaga nos reservas. Não comprava brigas indigestas. Até porque ele, com toda razão, sabia do seu valor. Em fevereiro de 1969, ele era o favorito para substituir o Aymoré Moreira (técnico que esteve no comando da seleção no Mundial de 1962).
O terceiro nome, Otto Glória, rechaçou rudemente, dizendo que não admitiria jamais dividir o comando do escrete. Uma atitude corajosa.
Naquele contexto, qual era o grau de influência do regime militar nas decisões da CBD?
Total e absoluto.
quinta-feira, 23 de dezembro de 2010
BASQUETEBOL, HISTORICO E REGRAS
O basquetebol, mas conhecido simplesmente por ‘basquete’, é um esporte coletivo inventado em 1891 pelo professor de Educação Física canadense James Naismith, na Associação Cristã de Moços de Springfield – EUA. É jogado por duas equipes de 5 jogadores, que têm por objetivo passar a bola por dentro de uma cesta colocado nas extremidades da quadra.
Os aros que formam as cestas são colocados a uma altura de 3 metros e 5 centímetros. Os jogadores podem caminhar no campo desde que driblem (batam a bola contra o chão) a cada passo dado. Também é possível executar um passe, ou seja, atirar a bola em direção a um companheiro de equipe.
O basquetebol é um esporte olímpico desde os Jogos Olímpicos de Berlim em 1936. O nome vem do inglês basketball, que significa literalmente “bola na cesta”.
História:
Em Dezembro de 1891, o professor de educação física canadense James Naismith, do Springfield College (então denominada Associação Cristã de Moços), em Massachusetts, Estados Unidos, recebeu uma tarefa de seu diretor: criar um esporte que os alunos pudessem praticar em um local fechado, pois o inverno costumava ser muito rigoroso, o que impedia a prática do basebol e do futebol americano.
James Naismith logo descartou um jogo que utilizasse os pés ou com muito contato físico, pois poderiam se tornar muito violentos devido às características de um ginásio, local fechado e com piso de madeira.
Logo escreveu as treze regras básicas do jogo e pendurou um cesto de pêssegos a uma altura que julgou adequada: dez pés, equivalente a 3,05 metros, altura que se mantém até hoje; já a quadra possuía, aproximadamente, metade do tamanho da atual.
História do basquete no Brasil:
A prática do basquete no Brasil começou quando o norte-americano Augusto Shaw introduziu o esporte na Associação Atlética Mackenzie de São Paulo, em 1896. No Rio de Janeiro, teriam acontecido os primeiros jogos de basquete em 1912 pelo América Football Club.
Características:
Cesta é o nome comum que se dá ao encestar (fazer a bola passar por esse aro) e então marcam-se pontos, dependendo do local e das circunstâncias da cesta: se for cesta dentro do garrafão obtém-se dois pontos, se for fora da linha dos 6.25 metros obtém-se 3 pontos, se for lance livre após uma falta a cesta equivale a 1 ponto. As equipes devem fazer pontos sempre do mesmo lado – é o meia-quadra de ataque – e defender a cesta oposta – na meia-quadra de defesa. Obviamente a equipe que defende tenta impedir a equipe que ataca de fazer cesta, através da marcação, da interceptação de passes ou até mesmo do bloqueio (toco) ao arremesso. Os jogadores penduram-se no aro com a bola para fazer espetáculo (enterrar). No entanto, contatos físicos mais fortes são punidos como falta. Se o jogador fizer cinco faltas terá que ser substituído e não poderá voltar ao jogo. A partir da quarta falta coletiva de uma equipe, a equipe adversária tem o direito a lances livres toda a vez que sofrer falta. As faltas efetuam-se da seguinte maneira: se um jogador faz falta ao atacante e este encesta, os 2 pontos contam-se e esse jogador tem direito a 1 lance livre (se não acertar os outros jogadores irão tentar apanhar a bola – rebote). Se a falta for cometida e o atacante não conseguir encestar terá direito a 2 ou 3 lances livres, dependendo do local onde foi cometida a falta.
Atualmente o basquete internacional encontra-se organizado pela FIBA – Federação Internacional de Basquetebol. As suas determinações valem para todos os países onde o basquete é jogado, exceto para a liga profissional de basquete dos EUA, a NBA, que mantém regras próprias, um pouco diferentes das regras internacionais. A expectativa é que as duas entidades se aproximem cada vez mais seus regulamentos.
Para jogos regulamentados pela FIBA, o tempo de jogo oficial é de 40 minutos, divididos em quatro períodos iguais de 10 minutos cada. Entre o 2º e 3º períodos, há intervalo de 15 minutos, e invertem-se as quadras de ataque e defesa das equipes; logo, cada equipe defende em dois períodos cada cesta. Ao contrário dos outros esportes coletivos, não há sorteio para definir-se de quem é a posse de bola no começo do jogo: a bola é lançada ao ar por um árbitro, e um jogador de cada equipe (normalmente o mais alto) posiciona-se para saltar e tentar passar a bola a um companheiro.
Não é permitido sair dos limites da quadra, e nos jogos oficiais também não é permitido que o jogador leve a bola para a quadra de ataque e retorne para a quadra de defesa (retorno). Além disso há também uma limitação de tempo (24 segundos) para executar uma jogada, e a proibição de que o atleta salte e retorne ao chão (com os 2 pés ao mesmo tempo) com a posse de bola, sem executar arremesso ou passe. As faltas são cobradas da lateral de quadra, assim como as demais violações; no entanto, caso uma equipa cometa mais de 4 faltas num período, as faltas do adversário passam a ser cobrados na forma de lance livre: o jogador se posiciona numa linha a 4,60 metros da cesta e lança sem a marcação dos rivais. O lance livre também é cobrado quando um jogador sofre falta no momento em que está tentando encestar – independentemente do número total de faltas da equipa adversário.
Além da NBA, que é considerada uma liga muito emocionante e espetacular, o principal torneio de clubes de basquete é a Euroliga. Já entre as seleções, os torneio mais importantes são o Mundial da FIBA e os Jogos Olímpicos.
O basquetebol em cadeira de rodas é uma modalidade bastante conhecida entre os desportos para pessoas com necessidades especiais.
Objetivo do jogo:
O objetivo do jogo é introduzir a bola no cesto da equipe adversária (marcando pontos) e, simultaneamente, evitar que esta seja introduzida na própria cesta, respeitando as regras do jogo. A equipe que obtiver mais pontos no fim do jogo vence.
Posições:
São usadas, geralmente, no basquete, três posições: alas, pivôs e armador. Na maioria das equipas temos dois alas, dois pivôs e um armador. Armador ou base é como o cérebro da equipa. Planeja as jogadas e geralmente começa com a bola. Alas ou extremos jogam pelos cantos. Pivôs são, na maioria das vezes, os mais altos. Com a sua altura, pegam muitos rebotes e fazem enterradas, e na defesa ajudam muito com os tocos.
Regulamento (FIBA):
Equipe – Existem duas equipes que são compostas por 5 jogadores cada (em jogo), mais 7 reservas.
Início do jogo – O Jogo começa com o lançamento da bola ao ar, pelo árbitro, entre dois jogadores adversários no círculo central e esta só pode ser tocada quando atingir o ponto mais alto.
Duração do jogo – Quatro períodos de 10 minutos de tempo útil cada (Na NBA, são 12 minutos), com um intervalo de meio tempo entre o segundo e o terceiro período com uma duração de 15 minutos, e com intervalos de dois minutos entre o primeiro e o segundo período e entre o terceiro e o quarto período. O cronometro só avança quando a bola se encontra em jogo, isto é, sempre que o árbitro interrompe o jogo, o tempo é parado de imediato.
Reposição da bola em jogo – Depois da marcação de uma falta, o jogo recomeça por um lançamento fora das linhas laterais, exceto no caso de lances livres. Após a marcação de ponto, o jogo prossegue com um passe realizado atrás da linha do campo da equipa que defende.
Como jogar a bola – A bola é sempre jogada com as mãos. Não é permitido andar com a bola nas mãos ou provocar o contato da bola com os pés ou pernas. Também não é permitido driblar com as duas mãos ao mesmo tempo.
Pontuação – Uma cesta é válida quando a bola entra pelo aro, por cima. Um cesto de campo vale 2 pontos, a não ser que tenha sido conseguido para além da linha dos 3 pontos, situada a 6,25m (valendo, portanto, 3 pontos); uma cesta de lance livre vale 1 ponto.
Empate – Os jogos não podem terminar empatados. O desempate processa-se através de períodos suplementares de 5 minutos.
Resultado – O jogo é ganho pela equipa que marcar maior número de pontos no tempo regulamentar.
Lance livre – Na execução, os vários jogadores, ocupam os respectivos espaços ao longo da linha de marcação, não podem deixar os seus lugares até que a bola saia das mãos do executante do lance livre; não podem tocar a bola na sua trajetória para o cesto, até que esta toque no aro.
Penalizações de faltas pessoais – Se a falta for cometida sobre um jogador que não está em ato de lançamento, a falta será cobrada por forma de uma reposição de bola lateral, desde que a equipa(e) não tenha cometido mais do que 4 (quatro) faltas coletivas durante o período, caso contrário é concedido ao jogador que sofreu a falta o direito a dois lances livres. Se a falta for cometida sobre um jogador no momento do arremesso, a cesta conta e deve, ainda, ser concedido um lance livre. No caso do arremesso não tiver sido convertido, o lançador irá executar os lance livres (2 ou 3 lances livres, conforme se trate de uma tentativa de lançamento de 2 ou 3 pontos).
Regra dos 5 segundos – Um jogador que está sendo marcado não pode ter a bola em sua posse (sem driblar) por mais de 5 segundos.
Regra dos 3 segundos – Um jogador não pode permanecer mais de 3 segundos dentro da área restritiva (garrafão) do adversário, enquanto a sua equipa esteja na posse da bola.
Regra dos 8 segundos – Quando uma equipa ganha a posse da bola na sua zona de defesa, deve, dentro de 8 segundos, fazer com que a bola chegue à zona de ataque.
Regra dos 24 segundos – Quando uma equipe está de posse da bola, dispõe de 24 segundos para a lançar ao cesto do adversário.
Bola presa – Considera-se bola presa quando dois ou mais jogadores (um de cada equipa pelo menos) tiverem uma ou ambas as mãos sobre a bola, ficando esta presa.
Transição de campo – Um jogador cuja equipe está na posse de bola, na sua zona de ataque, não pode provocar a ida da bola para a sua zona de defesa (retorno).
Dribles – O jogador não pode bater a bola com as duas mãos simultaneamente, nem dar dois dribles consecutivos (bater a bola, agarrá-la com as duas mãos e voltar a batê-la).
Passos – O jogador não pode executar mais de dois passos com a bola na mão.
Faltas pessoais – É uma falta que envolve contato com o adversário, e que consiste nos seguintes parâmetros: Obstrução, Carregar, Marcar pela retaguarda, Deter, Segurar, Uso ilegal das mãos, Empurrar.
Falta antiesportiva – Falta pessoal que, no entender do árbitro, foi cometida intencionalmente, com objetivo de prejudicar a equipa adversária.
Falta técnica – Falta cometida por um jogador sem envolver contato pessoal com o adversário, como, por exemplo, contestação das decisões do árbitro, usando gestos, atitudes ou vocabulário ofensivo, ou mesmo quando não levantar imediatamente o braço quando solicitado pelo árbitro, após lhe ser assinalada falta.
Falta da equipe – Se uma equipa cometer num período, um total de quatro faltas, para todas as outras faltas pessoais sofrerá a penalização de dois lances livres.
Número de faltas – Um jogador que cometer cinco faltas está desqualificado (‘expulso’) da partida.
Pedidos de tempo: no 1º,2º e 3º período pode 1 tempo de 1 minuto e no o 4º período, 2 tempos de 1 min.
Outras informações:
Bandeja : é um arremesso que tem que dar dois passos: o primeiro de equilíbrio e o segundo de distância. Que pode ser feito em movimento com passe ou driblando.
Rebote: é a recuperação da bola após um arremesso não convertido. Pode ser defensivo ou ofensivo.
Assistência : é um passe certeiro que encontra outro companheiro de equipe, livre de marcação, e acaba convertido em cesta. O jogador que faz a assistência é tão importante como o jogador que marca o cesta.
Enterradas: é movimento que conjuga o salto e a colocação com firmeza da bola diretamente na cesta.
Ponte-aérea: é quando um jogador lança a bola diretamente a um de seus parceiros, que pula recebe a bola e finaliza a jogada arremessando a bola antes de tocar o chão. Também pode ser feita com um jogador arremessando a bola na tabela com outro jogador pegando o rebote e finalizando a jogada imediatamente em seguida com arremesso ou enterrada.
Toco: é um bloqueio brusco ao movimento da bola que foi ou está sendo arremessada a cesta por um adversário.
Duplo-Duplo: o desempenho de um jogador numa partida de basquetebol é avaliado segundo vários requisitos: números de pontos marcados, assistências efetuadas, rebotes ofensivos e defensivos, roubos de bola, etc. Assim, um jogador obtém um duplo-duplo quando consegue 10 ou mais em dois desses quesitos. Daí o nome de duplo, devido aos dois dígitos.
Triplo-Duplo : o jogador obtém um triplo-duplo quando conseguir 10, ou mais, em três quesitos.
Os aros que formam as cestas são colocados a uma altura de 3 metros e 5 centímetros. Os jogadores podem caminhar no campo desde que driblem (batam a bola contra o chão) a cada passo dado. Também é possível executar um passe, ou seja, atirar a bola em direção a um companheiro de equipe.
O basquetebol é um esporte olímpico desde os Jogos Olímpicos de Berlim em 1936. O nome vem do inglês basketball, que significa literalmente “bola na cesta”.
História:
Em Dezembro de 1891, o professor de educação física canadense James Naismith, do Springfield College (então denominada Associação Cristã de Moços), em Massachusetts, Estados Unidos, recebeu uma tarefa de seu diretor: criar um esporte que os alunos pudessem praticar em um local fechado, pois o inverno costumava ser muito rigoroso, o que impedia a prática do basebol e do futebol americano.
James Naismith logo descartou um jogo que utilizasse os pés ou com muito contato físico, pois poderiam se tornar muito violentos devido às características de um ginásio, local fechado e com piso de madeira.
Logo escreveu as treze regras básicas do jogo e pendurou um cesto de pêssegos a uma altura que julgou adequada: dez pés, equivalente a 3,05 metros, altura que se mantém até hoje; já a quadra possuía, aproximadamente, metade do tamanho da atual.
História do basquete no Brasil:
A prática do basquete no Brasil começou quando o norte-americano Augusto Shaw introduziu o esporte na Associação Atlética Mackenzie de São Paulo, em 1896. No Rio de Janeiro, teriam acontecido os primeiros jogos de basquete em 1912 pelo América Football Club.
Características:
Cesta é o nome comum que se dá ao encestar (fazer a bola passar por esse aro) e então marcam-se pontos, dependendo do local e das circunstâncias da cesta: se for cesta dentro do garrafão obtém-se dois pontos, se for fora da linha dos 6.25 metros obtém-se 3 pontos, se for lance livre após uma falta a cesta equivale a 1 ponto. As equipes devem fazer pontos sempre do mesmo lado – é o meia-quadra de ataque – e defender a cesta oposta – na meia-quadra de defesa. Obviamente a equipe que defende tenta impedir a equipe que ataca de fazer cesta, através da marcação, da interceptação de passes ou até mesmo do bloqueio (toco) ao arremesso. Os jogadores penduram-se no aro com a bola para fazer espetáculo (enterrar). No entanto, contatos físicos mais fortes são punidos como falta. Se o jogador fizer cinco faltas terá que ser substituído e não poderá voltar ao jogo. A partir da quarta falta coletiva de uma equipe, a equipe adversária tem o direito a lances livres toda a vez que sofrer falta. As faltas efetuam-se da seguinte maneira: se um jogador faz falta ao atacante e este encesta, os 2 pontos contam-se e esse jogador tem direito a 1 lance livre (se não acertar os outros jogadores irão tentar apanhar a bola – rebote). Se a falta for cometida e o atacante não conseguir encestar terá direito a 2 ou 3 lances livres, dependendo do local onde foi cometida a falta.
Atualmente o basquete internacional encontra-se organizado pela FIBA – Federação Internacional de Basquetebol. As suas determinações valem para todos os países onde o basquete é jogado, exceto para a liga profissional de basquete dos EUA, a NBA, que mantém regras próprias, um pouco diferentes das regras internacionais. A expectativa é que as duas entidades se aproximem cada vez mais seus regulamentos.
Para jogos regulamentados pela FIBA, o tempo de jogo oficial é de 40 minutos, divididos em quatro períodos iguais de 10 minutos cada. Entre o 2º e 3º períodos, há intervalo de 15 minutos, e invertem-se as quadras de ataque e defesa das equipes; logo, cada equipe defende em dois períodos cada cesta. Ao contrário dos outros esportes coletivos, não há sorteio para definir-se de quem é a posse de bola no começo do jogo: a bola é lançada ao ar por um árbitro, e um jogador de cada equipe (normalmente o mais alto) posiciona-se para saltar e tentar passar a bola a um companheiro.
Não é permitido sair dos limites da quadra, e nos jogos oficiais também não é permitido que o jogador leve a bola para a quadra de ataque e retorne para a quadra de defesa (retorno). Além disso há também uma limitação de tempo (24 segundos) para executar uma jogada, e a proibição de que o atleta salte e retorne ao chão (com os 2 pés ao mesmo tempo) com a posse de bola, sem executar arremesso ou passe. As faltas são cobradas da lateral de quadra, assim como as demais violações; no entanto, caso uma equipa cometa mais de 4 faltas num período, as faltas do adversário passam a ser cobrados na forma de lance livre: o jogador se posiciona numa linha a 4,60 metros da cesta e lança sem a marcação dos rivais. O lance livre também é cobrado quando um jogador sofre falta no momento em que está tentando encestar – independentemente do número total de faltas da equipa adversário.
Além da NBA, que é considerada uma liga muito emocionante e espetacular, o principal torneio de clubes de basquete é a Euroliga. Já entre as seleções, os torneio mais importantes são o Mundial da FIBA e os Jogos Olímpicos.
O basquetebol em cadeira de rodas é uma modalidade bastante conhecida entre os desportos para pessoas com necessidades especiais.
Objetivo do jogo:
O objetivo do jogo é introduzir a bola no cesto da equipe adversária (marcando pontos) e, simultaneamente, evitar que esta seja introduzida na própria cesta, respeitando as regras do jogo. A equipe que obtiver mais pontos no fim do jogo vence.
Posições:
São usadas, geralmente, no basquete, três posições: alas, pivôs e armador. Na maioria das equipas temos dois alas, dois pivôs e um armador. Armador ou base é como o cérebro da equipa. Planeja as jogadas e geralmente começa com a bola. Alas ou extremos jogam pelos cantos. Pivôs são, na maioria das vezes, os mais altos. Com a sua altura, pegam muitos rebotes e fazem enterradas, e na defesa ajudam muito com os tocos.
Regulamento (FIBA):
Equipe – Existem duas equipes que são compostas por 5 jogadores cada (em jogo), mais 7 reservas.
Início do jogo – O Jogo começa com o lançamento da bola ao ar, pelo árbitro, entre dois jogadores adversários no círculo central e esta só pode ser tocada quando atingir o ponto mais alto.
Duração do jogo – Quatro períodos de 10 minutos de tempo útil cada (Na NBA, são 12 minutos), com um intervalo de meio tempo entre o segundo e o terceiro período com uma duração de 15 minutos, e com intervalos de dois minutos entre o primeiro e o segundo período e entre o terceiro e o quarto período. O cronometro só avança quando a bola se encontra em jogo, isto é, sempre que o árbitro interrompe o jogo, o tempo é parado de imediato.
Reposição da bola em jogo – Depois da marcação de uma falta, o jogo recomeça por um lançamento fora das linhas laterais, exceto no caso de lances livres. Após a marcação de ponto, o jogo prossegue com um passe realizado atrás da linha do campo da equipa que defende.
Como jogar a bola – A bola é sempre jogada com as mãos. Não é permitido andar com a bola nas mãos ou provocar o contato da bola com os pés ou pernas. Também não é permitido driblar com as duas mãos ao mesmo tempo.
Pontuação – Uma cesta é válida quando a bola entra pelo aro, por cima. Um cesto de campo vale 2 pontos, a não ser que tenha sido conseguido para além da linha dos 3 pontos, situada a 6,25m (valendo, portanto, 3 pontos); uma cesta de lance livre vale 1 ponto.
Empate – Os jogos não podem terminar empatados. O desempate processa-se através de períodos suplementares de 5 minutos.
Resultado – O jogo é ganho pela equipa que marcar maior número de pontos no tempo regulamentar.
Lance livre – Na execução, os vários jogadores, ocupam os respectivos espaços ao longo da linha de marcação, não podem deixar os seus lugares até que a bola saia das mãos do executante do lance livre; não podem tocar a bola na sua trajetória para o cesto, até que esta toque no aro.
Penalizações de faltas pessoais – Se a falta for cometida sobre um jogador que não está em ato de lançamento, a falta será cobrada por forma de uma reposição de bola lateral, desde que a equipa(e) não tenha cometido mais do que 4 (quatro) faltas coletivas durante o período, caso contrário é concedido ao jogador que sofreu a falta o direito a dois lances livres. Se a falta for cometida sobre um jogador no momento do arremesso, a cesta conta e deve, ainda, ser concedido um lance livre. No caso do arremesso não tiver sido convertido, o lançador irá executar os lance livres (2 ou 3 lances livres, conforme se trate de uma tentativa de lançamento de 2 ou 3 pontos).
Regra dos 5 segundos – Um jogador que está sendo marcado não pode ter a bola em sua posse (sem driblar) por mais de 5 segundos.
Regra dos 3 segundos – Um jogador não pode permanecer mais de 3 segundos dentro da área restritiva (garrafão) do adversário, enquanto a sua equipa esteja na posse da bola.
Regra dos 8 segundos – Quando uma equipa ganha a posse da bola na sua zona de defesa, deve, dentro de 8 segundos, fazer com que a bola chegue à zona de ataque.
Regra dos 24 segundos – Quando uma equipe está de posse da bola, dispõe de 24 segundos para a lançar ao cesto do adversário.
Bola presa – Considera-se bola presa quando dois ou mais jogadores (um de cada equipa pelo menos) tiverem uma ou ambas as mãos sobre a bola, ficando esta presa.
Transição de campo – Um jogador cuja equipe está na posse de bola, na sua zona de ataque, não pode provocar a ida da bola para a sua zona de defesa (retorno).
Dribles – O jogador não pode bater a bola com as duas mãos simultaneamente, nem dar dois dribles consecutivos (bater a bola, agarrá-la com as duas mãos e voltar a batê-la).
Passos – O jogador não pode executar mais de dois passos com a bola na mão.
Faltas pessoais – É uma falta que envolve contato com o adversário, e que consiste nos seguintes parâmetros: Obstrução, Carregar, Marcar pela retaguarda, Deter, Segurar, Uso ilegal das mãos, Empurrar.
Falta antiesportiva – Falta pessoal que, no entender do árbitro, foi cometida intencionalmente, com objetivo de prejudicar a equipa adversária.
Falta técnica – Falta cometida por um jogador sem envolver contato pessoal com o adversário, como, por exemplo, contestação das decisões do árbitro, usando gestos, atitudes ou vocabulário ofensivo, ou mesmo quando não levantar imediatamente o braço quando solicitado pelo árbitro, após lhe ser assinalada falta.
Falta da equipe – Se uma equipa cometer num período, um total de quatro faltas, para todas as outras faltas pessoais sofrerá a penalização de dois lances livres.
Número de faltas – Um jogador que cometer cinco faltas está desqualificado (‘expulso’) da partida.
Pedidos de tempo: no 1º,2º e 3º período pode 1 tempo de 1 minuto e no o 4º período, 2 tempos de 1 min.
Outras informações:
Bandeja : é um arremesso que tem que dar dois passos: o primeiro de equilíbrio e o segundo de distância. Que pode ser feito em movimento com passe ou driblando.
Rebote: é a recuperação da bola após um arremesso não convertido. Pode ser defensivo ou ofensivo.
Assistência : é um passe certeiro que encontra outro companheiro de equipe, livre de marcação, e acaba convertido em cesta. O jogador que faz a assistência é tão importante como o jogador que marca o cesta.
Enterradas: é movimento que conjuga o salto e a colocação com firmeza da bola diretamente na cesta.
Ponte-aérea: é quando um jogador lança a bola diretamente a um de seus parceiros, que pula recebe a bola e finaliza a jogada arremessando a bola antes de tocar o chão. Também pode ser feita com um jogador arremessando a bola na tabela com outro jogador pegando o rebote e finalizando a jogada imediatamente em seguida com arremesso ou enterrada.
Toco: é um bloqueio brusco ao movimento da bola que foi ou está sendo arremessada a cesta por um adversário.
Duplo-Duplo: o desempenho de um jogador numa partida de basquetebol é avaliado segundo vários requisitos: números de pontos marcados, assistências efetuadas, rebotes ofensivos e defensivos, roubos de bola, etc. Assim, um jogador obtém um duplo-duplo quando consegue 10 ou mais em dois desses quesitos. Daí o nome de duplo, devido aos dois dígitos.
Triplo-Duplo : o jogador obtém um triplo-duplo quando conseguir 10, ou mais, em três quesitos.
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